Condutores portugueses “viciados” no telemóvel

Estudo da Prevenção Rodoviária Portuguesa revela dados impressionantes.

propedalar.com @ 24-8-2017 17:32:50

A Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) levou a cabo durante os meses de Março e Abril de 2017 um estudo observacional no Concelho de Lisboa com o objectivo de estimar a percentagem de condutores que utilizam o telemóvel enquanto conduzem. Após analisadas mais de 5.600 observações, os resultados são agora divulgados

As observações incidiram sobre condutores em veículos em movimento (3.378) e condutores em veículos parados nos semáforos (2.260). Os resultados mostraram que 7,7% dos condutores de veículos em movimento estavam a utilizar o telemóvel, número que aumenta para 13,7% no grupo dos condutores de veículos parados nos semáforos.

No grupo de condutores de veículos observados em movimento que estavam a utilizar o telemóvel, o estudo apurou que 3,3% estavam a falar em alta-voz/a usar auriculares, 2,7% a consultar o telemóvel (a ler/escrever mensagens/emails, consultar a internet/redes sociais) e 1,8% a falar ao telemóvel na mão.

Entre os condutores parados nos semáforos destacaram-se os que estavam a consultar o telemóvel, cuja percentagem foi de 7,3% – quase 3 vezes superior à observada nos veículos em movimento. Foram ainda observados 5,2% de condutores a falar em alta-voz/a usar auriculares e 1,9% a falar ao telemóvel na mão. 

De acordo a PRP, isto significa que na cidade de Lisboa, "em cada milhão de condutores estão, em permanência, 77.000 condutores a utilizar o telemóvel enquanto conduzem e 137.000 enquanto estão parados nos semáforos". A PRP lembra também que "existe uma elevada percentagem de condutores que incorrem neste comportamento mas que no momento da observação não o estavam a fazer".

Os condutores que se deslocam sozinhos no automóvel, que representam mais de 2/3 do total de obervações, apresentam taxas de utilização 5 vezes maiores do que os que se deslocam acompanhados, quando em andamento, e quase 4 vezes maiores quando parados nos semáforos. É de destacar ainda as elevadas taxas de utilização entre os condutores mais jovens a consultar o telemóvel (situação mais grave) e a falar com o telemóvel na mão e que são os condutores do sexo feminino os que utilizam o telemóvel com mais frequência enquanto conduzem, quer com o telemóvel na mão quer com recurso ao sistema mãos-livres.

José Miguel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, lembra que "a distração durante a condução é uma ameaça séria e crescente para a segurança rodoviária. A distração provocada pela utilização do telemóvel compromete o desempenho do condutor e leva a um aumento do risco de acidente”.

“A utilização de sistemas mãos-livres, apesar de legal, não tem vantagens significativas em relação a falar com o telemóvel na mão, uma vez que a distração cognitiva que provoca (o tipo de distração que mais influencia negativamente a condução) é semelhante à provocada por falar com o telemóvel na mão”, acrescenta o presidente da PRP.

“O manuseamento do telemóvel para escrever/ler mensagens ou emails, consultar informação na internet, interagir nas redes sociais, consultar agendas ou outra informação (texting), tem um impacto ainda maior na segurança rodoviária. Para além da distração cognitiva associada (semelhante a falar ao telemóvel), o condutor passa longos períodos sem olhar para a estrada o que aumenta ainda mais o risco de acidente”, conclui José Miguel Trigoso.

De acordo com o estudo internacional ESRA, do qual a PRP faz parte, entre os condutores portugueses, 45,9% declaram ter falado com telemóvel na mão, 60% admite recorrer ao sistema mãos-livres, 44,5% leram mensagens ou e-mails e 27,6% enviaram mensagens ou e-mails durante a condução, o que coloca Portugal acima da média dos países europeus em todos estes comportamentos.

propedalar.com @ 24-8-2017 17:32:50