Delmino Pereira defende maior autonomia das federações
O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Delmino Pereira, interveio hoje no Congresso Nacional Olímpico, na Maia, advogando uma maior autonomia das federações desportivas na definição de estratégias de alto rendimento e na alocação dos fundos disponíveis.
UVP-FPC @ 5-3-2014 14:41:30
O dirigente apresentou diversos exemplos,
demonstrando que os critérios administrativos nem sempre têm em conta a
multiplicidade de realidades das distintas modalidades desportivas e, dentro
destas, das diferentes vertentes e disciplinas.
“Temos realidades distintas para as quais devemos
ter soluções diferentes. Os corredores de estrada são profissionais, dependendo
da Federação e das seleções nacionais até à categoria de sub-23. A partir daí
profissionalizam-se e conseguem bons contratos com equipas de topo mundial, e a
nossa preocupação passa por compatibilizar os interesses desportivos, olímpicos
e não só, da seleção com os interesses das respetivas equipas. Depois temos
outra realidade, nas restantes vertentes olímpicas, em que, por não serem
profissionais, os corredores de cross country, de BMX e de pista estarão sempre
dependentes da Federação”, explicou.
O tratamento igual para realidades que são
distintas, provoca desajustamentos no financiamento, com repercussões numa
distribuição nem sempre equitativa dos recursos financeiros. “O
Rui Costa tem agora uma bolsa, mas já é atleta de alto rendimento há muito
tempo. Quando mais precisava desse apoio, na altura em que era sub-23, não o
teve. Agora que não precisará tanto, pois tem um contrato profissional, recebe
a bolsa. Em contrapartida, e para continuar a falar de atletas olímpicos, o
David Rosa é amador e tem de lutar contra os seus adversários estrangeiros, todos
eles profissionais. É fundamental que o BTT português disponha de uma bolsa,
que possa ser investida nos seus melhores corredores, para que consigam
competir no circuito mundial”, alertou Delmino Pereira.
O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo
chamou ainda a atenção para a necessidade de se investir na vertente de pista,
na qual Portugal conseguiu duas medalhas em europeus e mundiais, ao fim de
poucos anos de trabalho. “Das nove medalhas olímpicas de ciclismo,
cinco são atribuídas na pista. É, provavelmente, a vertente com maior potencial
de sucesso olímpico”, frisou.
Delmino Pereira recordou outras incongruências na
classificação das modalidades desportivas. O ciclismo é considerado um desporto
individual, mas o dirigente Federativo assinalou que “na prova de fundo em estrada,
quando temos um corredor favorito a uma medalha, tendo em conta as suas
caraterísticas e o percurso da prova, é preciso construir uma equipa que
trabalhe para esse corredor”. Só que, sendo catalogada como modalidade
individual, só são premiados com bolsa os corredores que obtenham resultados
pessoais, o que levanta uma questão: “Como é que o selecionador vai convencer os
ciclistas a abdicarem dos seus próprios resultados em prol de um objetivo
maior, que é a conquista de uma medalha por um colega de seleção”?
Na opinião de Delmino Pereira, estas situações
apenas poderão ser corrigidas “se as federações tiverem autonomia para
gerir o processo, porque só as federações e os selecionadores poderão construir
grupos de trabalho, pelo que deve ser dada prioridade às opções técnicas dos
selecionadores”.
Página do Congresso Nacional Olímpico: http://congresso.comiteolimpicoportugal.pt/
UVP-FPC @ 5-3-2014 14:41:30
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